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INTRODUÇÃO

“Pensar Faz Bem!” foi concebido em finais de 2005 para ser um microprograma diário de rádio. Com início perto da meia-noite (23h55) de cada dia, repete 5 vezes: às 06h55, 08h55, 11h55, 17h55 e 20h55. Escrito em linguagem radiofónica, pode abranger áreas muito diversas: a comum experiência humana no quotidiano com todos os sentimentos e emoções que envolve, histórias, contos ou fábulas, evocação de datas, factos, efemérides, dias nacionais, mundiais ou internacionais e recorda­ção de personagens que se destacaram em qualquer área da vida e da História da Humanidade.

Por se ter consolidado ao longo destes cinco anos, devido à sua regularidade diária, o “Pensar Faz Bem!” tem sido um ponto de referência na grelha da RCS – Rádio Clube de Sintra. Ouvintes, amigos e colegas têm solicitado textos de algumas reflexões que escutaram. Têm sugerido também que se reúna tudo num volume, para se ter entre mãos aquilo que foi apenas pensado para sair nas ondas hertzianas. Assim nasceu a ideia de fazer um livro e um audiolivro, reunindo material para preencher cada dia do ano, sem conotação a um ano específico. Isto obrigou a uma revisão geral dos textos, tentando preservar, tanto quanto possível, o estilo radiofónico. Em não poucos casos, foram anulados textos de base e escritos outros com novas abordagens. Este trabalho – audiolivro – é acompanhado de um CD com os textos gravados em mp3. Por isso, pode ser lido e (ou) ouvido, como reflexão diária ou como companhia em viagem.

Este microprograma de rádio, escrito em linguagem comum, caracteriza-se pelo estilo directo e informativo e tem como principal objectivo “obrigar” a pensar. Ou seja, suscitar e/ou provocar a reflexão sobre o tema abordado. Foi imaginado a pen­sar no ouvinte apressado que não tenha como preocupação ou prioridade a dimen­são social, estética, moral, ética ou espiritual da vida. Assim, através da abordagem dos vários temas, o ouvinte é induzido a reflectir naquilo que ele, provavelmente, não pensaria só por si naquele momento.

Por outro lado, e sendo que a vida não consiste meramente em comida e bebida, trabalho e divertimento, emerge um segundo objectivo que é sugerir, lembrar ou originar no ouvinte a dimensão do espiritual, de forma implícita ou explícita. Isto é, integrar Deus de forma absolutamente natural no quotidiano, na esperança de despertar no cidadão indiferente ou agnóstico o desejo de busca ou interesse pelo espiritual.
Acresce ainda que partilho a perspectiva de muitos que consideram serem quatro as dimensões da vida humana – física, mental, social e espiritual. Porém, a práxis do quotidiano mostra com frequência que a dimensão espiritual é relegada para plano secundário, o que implica a sua consequente atrofia, ou quase aniquilamento.

Deste desequilíbrio, ou desarmonia, reflectem-se alguns efeitos não desejáveis, mas visíveis, nas relações e comportamentos humanos. Por isso, e considerando que a dimensão espiritual é o real catalisador de toda a experiência humana, julgo tornar- -se urgente e imperioso dar ênfase diária a este elemento tão importante.

Aqui, convém lembrar que por opção consciente não segui nesta abordagem pela via mais fácil a favor da corrente. Em esquema e reduzindo ao mínimo, temos diante de nós duas concepções da vida e do mundo opostas e inconciliáveis: a cosmovisão materialista e a cosmovisão criacionista. Ou seja, sem Deus ou com Deus. Deixei de lado a estrada que se me apresenta menos racional, que coloca mais dúvidas, mais problemas e questões sem resposta – a do pensamento evolucionista. Escolhi em convicção uma concepção linear da História que se apresenta ao ser humano com explicações e evidências lógicas que fazem todo o sentido quando se cruzam os da­dos – a cosmovisão que tem como elemento primeiro, não a matéria, não o homem, não o acaso ou um determinismo fortuito, mas Deus. É certo que nesta via não se dissipam todas as dúvidas ou questões. Mas também é verdade que é aquela que fornece mais respostas, confere paz, esperança e, nos momentos cruciais e difíceis, dá mais sentido à vida.

Considero-me devedor a muitos que pensaram e escreveram antes de mim. Não tenho, por essa razão, a pretensão de ser original. Porém, julgo que, como escreveu Guy Debord: “As ideias aperfeiçoam-se. O sentido das palavras também. O plagiato é necessário. O avanço implica-o. Ele acerca-se estreitamente da frase de um autor, serve- -se das suas expressões, suprime uma ideia falsa, substitui-a pela ideia justa.” Agra­deço a Guy Debord (1931-1994), escritor francês (in Sociedade do Espectáculo, No­vembro de 1967, Paris, Buhet-Chastel), por ter tido a coragem honesta de afirmar o que outros escritores tentam esconder. Tenho repetido de forma empírica a ex­periência dele.

Perdoe-se-me a imodéstia, mas estou convencido de que este singelo e humilde trabalho poderá ser útil aos ouvintes e aos leitores. Estou agora a pensar em si como um deles. Deixe-se, então, levar pelas palavras e pensamentos, porque afinal ‘PENSAR FAZ BEM!’

Ezequiel Quintino
Sintra, 27 de Junho de 2010